O que dizer mais?
Que meu corpo te precisa? Que meu coração te implora, que minha mente produz, como muito esforço, as imagens apagadas do teu rosto? Dizer que estarei te esperando, sua e de mais ninguém? Que sou impulso e que dali um segundo já não te amo mais?
São verdades irredutíveis de palavras que todos os dias quase-perdem-sabor, mas se mantém saborosas – algumas doces, outras amargas – pela tua necessidade de lê-las, ouvi-las e pelo teu medo de escrevê-las.
Instiga-me esse teu medo de rendição. Vejo nossa distância como a prova incontestável do teu medo de entrar em contato com o mais intenso de mim – todo meu ser.
Não há convite mais retórico e soberbo que meu corpo, alma, coração e espírito te convidando para a união eterna dos seres – bem como Deus quer.
Não pense que jamais lutei contra essa crescente que era – e é – você dentro de mim. Lutei por achar que te amar, logo a ti, era um ultraje a mim e àquilo que eu acreditava.
Não pense que preferia o inatingível, mas era ele que me atraía.
Não é questão de ver-te como utopia. Sinto e sei que nos esbarraremos e falaremos face a face, ou silenciaremos, admirando a ironia do destino.
Não te amo como resultado das minhas projeções, amo com os olhos de quem te estudou e viu quem de fato és. A maior prova da tua insegurança é querer se manter longe, mas nunca ausente. Você tem, assim como eu, uma necessidade de se mostrar vivo a mim, de me lembrar dos meus sentimentos, não correndo o risco de cair no esquecimento.
Perdoe-me se te entendi, mas não resta muito a fazer em relação a ti enquanto você não voltar – sozinho, hesitante, desconfiado, mas para mim.
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